Quando ocorrem acontecimentos desta natureza, muitas pessoas perguntam-se: como é que isto acontece a pessoas tão jovens? A resposta não será encontrada nestas linhas, até porque não sou médico. O que encontrará é uma perspetiva pessoal, baseada na experiência de ter vivido um problema deste tipo.
Problemas cardiovasculares no futebol
Nacho Barberà, o jogador que faleceu enquanto fazia aquilo de que mais gostava, ao serviço do clube onde jogava desde criança, a UD Alzira, é apenas um dos vários casos de morte súbita registados nos últimos anos no mundo do futebol. Infelizmente, estas situações servem para alertar todos os que fazem parte do universo desportivo para a gravidade do problema. Em Espanha, em 2016, entrou em vigor um Real Decreto que estabeleceu as condições e os requisitos mínimos de segurança e qualidade para a utilização de desfibrilhadores automáticos e semiautomáticos externos fora do ambiente hospitalar. Cada vez mais clubes, mesmo com recursos financeiros limitados, fazem um esforço para investir na aquisição de um desfibrilhador, conscientes da importância de dispor deste equipamento.
Em Espanha, um dos casos mais marcantes foi o de Antonio Puerta. No futebol internacional, recordamos também os casos de Miklós Fehér, jogador do Benfica, de Marc-Vivien Foé, internacional camaronês, e, mais recentemente, de Davide Astori. São vários os casos desta realidade no futebol, tanto profissional como amador. Cerca de 98% dos casos de morte súbita no desporto estão associados a cardiopatias, ou seja, a causas cardíacas. Além disso, os sintomas são visíveis apenas numa pequena percentagem dos casos, o que dificulta a deteção precoce e torna estas situações particularmente graves.
A melhor forma de prevenir este tipo de situações passa, naturalmente, pela realização de exames médicos regulares e rigorosos ao longo dos anos, uma vez que existem diversos fatores que podem estar na origem destas patologias.
- Sintomas: palpitações fortes e persistentes (como aconteceu no meu caso), podendo inclusivamente ocorrer perda de consciência.
- Causas: consumo excessivo de bebidas energéticas, associado a treinos ou competições de elevada intensidade, bem como fatores genéticos ou doenças cardíacas congénitas.
As recomendações que encontrará na maioria das fontes são claras: caso surja algum destes sintomas, deve procurar um médico especialista com a maior brevidade possível, suspendendo temporariamente a prática desportiva ou a competição. Pela minha experiência, posso dizer que é possível solicitar ao médico a realização deste tipo de exames, mesmo sem ter apresentado qualquer sintoma até ao momento. Desta forma, poderá ser encaminhado para um especialista, que poderá realizar uma prova de esforço e um exame Holter de 24 horas, responsável por monitorizar a frequência e o ritmo cardíacos ao longo de um dia inteiro. Caso seja detetada alguma alteração, para além dos cuidados e recomendações dos profissionais de saúde, os familiares diretos poderão também ser avaliados, uma vez que muitas destas patologias têm origem genética.
Nem sempre temos consciência dos riscos que o futebol atual pode representar. Embora nenhuma categoria esteja totalmente livre deste tipo de problemas, o risco tende a aumentar nos escalões mais competitivos, onde a exigência física é cada vez maior. Apesar de existirem fatores de risco que não podem ser alterados, como os antecedentes familiares, o sexo ou a idade, há várias medidas que podem ajudar a prevenir doenças cardiovasculares. A adoção de hábitos de vida saudáveis desempenha um papel fundamental na redução do risco de doença cardíaca e de acidente vascular cerebral (AVC).
- Controlar o tamanho das porções.
- Consumir mais legumes, hortícolas e fruta.
- Optar por cereais integrais.
- Limitar o consumo de gorduras saturadas e privilegiar alimentos frescos e pouco processados.
- Escolher fontes de proteína com baixo teor de gordura.
- Reduzir a quantidade de sal nas refeições.
- Planear antecipadamente as refeições.
- Limitar o consumo de álcool.
- Não fumar.
SEJAMOS CONSCIENTES. O primeiro passo é assumir a responsabilidade pela nossa saúde, colocando-a sempre acima do desporto e da paixão pelo futebol.
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