A evolução das bolas de futebol
Começamos com os primórdios do futebol, onde a bola era pouco mais do que uma esfera com revestimento em couro ou em diferentes materiais no exterior e no interior. Desde as primeiras formas esféricas usadas em vários desportos, utilizavam-se, embora hoje possa parecer estranho, bexigas de porco para criar aquilo que hoje conhecemos como válvulas de ar e diferentes partes da bola.
Estamos a falar de épocas muito antigas e, claro, isto estava ainda no início. Não foi até ao final do século XIX que começámos a ver bolas de futebol com um aspeto mais semelhante ao que temos hoje em mente. Em 1885, a Goodyear criou uma das primeiras bolas desportivas com borracha vulcanizada e uma forma já algo mais “esférica”, melhorando os designs e conceitos iniciados por Richard Lindon, que já utilizava borracha em bolas de rugby e substituía as famosas válvulas de porco.
Passada esta época, e já no final do século XIX, estabelecem-se finalmente as regras gerais do futebol e são definidos medidas e detalhes técnicos para as bolas de futebol. A English Football Association determinou que as bolas de futebol deveriam ter forma esférica, um diâmetro entre 21,65 e 22,29 cm, uma circunferência entre 68,58 e 71,12 centímetros e um peso entre 368 e 425 gramas. A sua pressão de enchimento deveria estar entre 1,6 e 2,1 atmosferas. Isto deu origem a regras e bases a partir das quais se começaram a fabricar as bolas de futebol. Já no início do século XX e com a crescente popularidade do desporto rei, as bolas eram fabricadas em couro de diferentes qualidades e eram bastante mais duras em comparação com as atuais. Surgem então as primeiras bolas com gomos que conhecemos das épocas iniciais do futebol, que incorporavam pinturas sintéticas para evitar a absorção de água pelo couro, como a utilizada no primeiro Campeonato do Mundo de Futebol, no Uruguai em 1930.
A evolução continua, mas sem grandes alterações até 1970, ano em que a marca das três riscas criou a primeira bola esférica de 32 painéis hexagonais, a Telstar. Foi uma verdadeira revolução, pois alcançava uma forma esférica mais perfeita e, com costuras à mão e dois tons de cor, passou a estandardizar de forma significativa as formas e medidas das bolas de futebol.
A marca alemã adidas, que era a principal responsável pelos avanços nas bolas, trouxe-nos a nova bola para o Mundial do México 1986: a bola Azteca, a primeira bola sintética com espuma interna. Isto ajudava a evitar a absorção de água e melhorava o remate e o voo da bola. Estavam assim lançadas as bases das bolas de futebol atuais.
E com esta base, nos anos seguintes vimos bolas de várias marcas que seguiram essa linha de 32 painéis cosidos com materiais sintéticos, que nos deixaram verdadeiras jóias como as bolas Nike Geo ou as adidas Etrusco.
Mas não ficou por aqui. Chegou o século XXI e começámos a ver bolas termosseladas, que melhoravam sobretudo a absorção de água. Com isto, também surgiram bolas que já não tinham os 32 painéis “clássicos”, passando a apresentar diferentes formatos, como a bola Teamgeist do Mundial da Alemanha 2006.
Com esta base chegou uma das bolas mais polémicas da história, a Jabulani, uma bola muito chamativa, com uma nova técnica de fabrico que a tornava, em teoria, mais esférica do que nunca e mais evoluída. No entanto, com este novo design, a bola tornava-se imprevisível a certas velocidades, o que não agradou nem a jogadores nem a guarda-redes.
Esta experiência, embora não tenha sido um sucesso, preparou-nos para as bolas atuais, termicamente seladas e com diferentes formas de painéis consoante as marcas, que continuam a inovar ano após ano. A adidas continua a produzir bolas espetaculares com algum relevo no padrão que reveste a bola, tal como a Puma, que atualmente fornece a bola da liga 2021-2022.
A Nike é talvez a mais ousada e, com a sua nova bola Flight, trouxe-nos a tecnologia Aerosculpt, que permite um voo mais consistente e um controlo da bola como nunca se tinha visto até à data. Uma bola com ranhuras em todos os painéis, que nos faz pensar apenas no que a marca americana ainda poderá inovar no futuro.
E até aqui chega o nosso percurso pela história das bolas de futebol. Uma história que, pelo que tudo indica, não tem fim. Qual é a vossa bola favorita de toda a história?
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