A rivalidade que muitos desconhecem. Esta competição entre duas das marcas comerciais mais conhecidas do mundo foi, e continua a ser, mais do que uma simples disputa empresarial. Falamos de um conflito familiar entre os irmãos Dassler, Adolf e Rudolf, que acabaram por se separar e dividir entre si uma empresa que, na altura, dominava o setor em que estava inserida. Uma rutura que acabou por dividir até os habitantes da pequena cidade de Herzogenaurach.
Os irmãos da adidas e da Puma
Os irmãos Dassler eram filhos de um antigo trabalhador de uma fábrica de calçado. Pouco depois de regressarem da Primeira Guerra Mundial, decidiram criar uma fábrica de calçado alemã, a famosa: Gerbüder Dassler Schuhfabrik. Esta ideia, ou sonho, foi impulsionada por uma motivação que permanecia em segredo para todos, exceto para os próprios irmãos. É importante perceber que duas das maiores marcas desportivas do mundo ainda existem hoje porque os irmãos Dassler decidiram fabricar calçado devido à fraca qualidade do que tinham utilizado durante a Grande Guerra. Desde o início, era evidente a harmonia perfeita com que trabalhavam. Adolf era o responsável pelo desenvolvimento e inovação do calçado, enquanto Rudolf assumia a vertente comercial e de vendas.
Um dos episódios mais marcantes do sucesso da empresa familiar Dassler, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, foi o facto de Rudolf e Adolf, apesar de serem militantes do Partido Nazi, terem conseguido convencer Jesse Owens a usar as suas sapatilhas nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. A separação dos irmãos ocorre durante a Segunda Guerra Mundial, um período conturbado em que tensões familiares profundas levaram também a conflitos entre as esposas de ambos. Toda esta situação acabou por escalar e conduzir à rutura entre os irmãos, com a saída de Rudolf para a frente militar e a insistência de Adolf em permanecer para gerir os destinos da empresa. A Segunda Guerra Mundial terminou em 1945 e, após estes episódios internos, a separação definitiva acabou por acontecer em 1948. A partir daí, a cidade ficou dividida, tal como famílias, amizades e locais de trabalho.
adidas
A marca adidas, tal como a conhecemos hoje, nasceu em 1949 e a origem do seu nome vem do seu fundador, Adolf Dassler — ADIDAS. Entre outros fatores, a adidas cresceu graças a episódios de grande sucesso, como a final do Campeonato do Mundo de 1954, na Suíça, onde Adolf Dassler equipou os jogadores da seleção alemã com chuteiras adidas com pitons de alumínio, para evitar que escorregassem devido à chuva. Na altura, tratou-se de uma das primeiras grandes inovações no mundo das chuteiras.
Até aos dias de hoje, outros momentos chave continuam presentes na memória de todos, como o lançamento das chuteiras adidas Copa Mundial em 1982, um modelo que permanece, até hoje, entre os mais vendidos da história do futebol. Mesmo através destes marcos e da enorme capacidade de inovação de Adolf Dassler no desenvolvimento de novos produtos, a adidas conseguiu alcançar o estatuto que mantém atualmente e continuar a ser uma das marcas mais influentes do desporto mundial.
Puma
Tal como o seu irmão, Rudolf decidiu, pouco tempo depois da separação em 1948, criar a sua própria empresa, dando origem à Ruda, o nome inicial da marca que mais tarde viria a ser renomeada como Puma. No entanto, a marca não ganhou tração tão rapidamente como Rudolf tinha previsto. É importante lembrar que a inteligência e o desenvolvimento do produto estavam do outro lado da “frente”, enquanto deste lado predominavam a astúcia, a capacidade de negociação e o talento para colocar produtos no mercado em qualquer contexto. Não podemos esquecer que a ideia de convencer Jesse Owens a usar as sapatilhas da fábrica dos irmãos Dassler nos Jogos Olímpicos de 1936 nasce de ambos, mas é Rudolf quem acaba por fechar o acordo.
Apesar das dificuldades iniciais na criação da sua empresa, é na década de 1970, mais concretamente no Mundial de 1970, que a marca alemã alcança o seu maior momento de afirmação, escrevendo um capítulo que marcaria para sempre a sua identidade e garantiria a sua sobrevivência até aos dias de hoje. Estamos no jogo dos quartos de final do Mundial de 1970, entre o Brasil e o Peru, quando a estrela Pelé, antes do início da partida, se abaixa calmamente para apertar os cordões das suas chuteiras. Todos os olhares se focaram no jogador brasileiro, o que tornou evidente que Pelé estava a usar umas Puma King completamente pretas, com a icónica faixa branca da Puma.
Desde 1948 até à morte de ambos os irmãos, nenhum voltou a falar com o outro, chegando mesmo a falar-se de episódios de forte rivalidade entre as duas marcas, bem como de alegada espionagem industrial. A verdade é que, até ao fim das suas vidas, nenhum dos irmãos retomou qualquer tipo de contacto. Com o passar dos anos, e perante o crescimento de marcas internacionais como a Nike, chegou mesmo a sugerir-se que esta rivalidade interna terá, de certa forma, facilitado a sua ascensão no mercado global. Hoje, ambos estão sepultados no mesmo cemitério, mas em zonas completamente distintas e separadas. Mesmo na morte, a sua disputa manteve-se irreconciliável.
adidas vs Puma
A rivalidade entre a adidas e a Puma terminou oficialmente em 2009, quando colaboradores de ambas as empresas participaram num jogo de futebol amigável, assinalando simbolicamente o fim de décadas de tensão entre as duas marcas.
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