Ao longo da história, houve momentos determinantes para o movimento das mulheres. Em 1908 teve lugar uma das marchas mais marcantes em Nova Iorque, com cerca de 30.000 participantes (na sua maioria costureiras), que reivindicavam igualdade de oportunidades.
A 25 de março de 1911 ocorreu um incêndio numa fábrica em Nova Iorque (a Cotton Textile Factory, em Washington Square), no qual mais de 100 mulheres, maioritariamente imigrantes, perderam a vida, uma vez que a saída estava bloqueada pelo proprietário para evitar roubos. Na sequência deste acontecimento, as condições das trabalhadoras acabaram por melhorar. Este foi um dos antecedentes para que, a 28 de fevereiro de 1909, em Nova Iorque, se assinalasse pela primeira vez o “Dia Nacional da Mulher”.
Fútbol Emotion no Dia Internacional da Mulher
Assinalamos este dia tão importante no nosso calendário, como não podia deixar de ser, dando voz a algumas das colegas que trabalham diariamente na nossa empresa, partilhando a sua opinião não só sobre o seu papel na organização, mas também sobre a situação da mulher no futebol, assim como a sua perspetiva pessoal sobre a forma como esta área deve evoluir.
Neste contexto, é importante destacar uma iniciativa promovida internamente na Fútbol Emotion: a implementação de um Plano de Igualdade.
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Plano de Igualdade da Fútbol Emotion
Sentimo-nos totalmente envolvidos nesta iniciativa em todas as áreas da nossa empresa. A implementação deste Plano de Igualdade é um objetivo estratégico, acreditando firmemente que nos permitirá ter um maior conhecimento da gestão empresarial e das pessoas. Trata-se de um objetivo que temos vindo a assumir há anos, como eixo prioritário da nossa cultura, garantindo que todas as pessoas (mulheres e homens) têm as mesmas oportunidades.
Na Fútbol Emotion, com a implementação do Plano de Igualdade, queremos que este objetivo se estenda a todas as pessoas da organização, bem como a todas as áreas, promovendo e garantindo a igualdade de oportunidades no acesso, participação e permanência em todas as práticas de gestão da empresa.
Com a implementação deste plano pretendemos:
- Potenciar o capital humano, otimizar os recursos humanos e facilitar uma maior retenção de talento.
- Fidelizar as pessoas mais adequadas para cada função.
- Melhorar o ambiente de trabalho, motivando as equipas, aumentando o seu compromisso com a empresa, bem como o seu rendimento e qualidade de trabalho.
- Reforçar a nossa reputação e employer branding, podendo ser um fator diferenciador face a outras organizações.
- Permitir detetar situações de discriminação e atuar para a sua eliminação.
- Melhorar a gestão e o funcionamento da empresa.
Para implementar o Plano de Igualdade é necessário realizar um diagnóstico da situação da igualdade entre mulheres e homens na empresa, bem como de outras áreas, através de uma análise detalhada. Este diagnóstico é a fase fundamental da implementação e, por isso, queremos que, independentemente da análise mais objetiva e quantitativa, todas as pessoas da empresa possam contribuir com a sua perceção, participando e dando a sua opinião.
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Patricia Moya // Responsável de Contabilidade e Impostos do Departamento de Finanças
“O papel da mulher ainda é reduzido tanto no desporto como nas empresas ligadas ao setor. Tem-se vindo a evoluir, passo a passo, mas ainda de forma lenta, criando novas expectativas para a mulher dentro do setor, algo que deve ser tido em conta. Qualquer pessoa, seja homem ou mulher, pode dedicar a sua vida ao que quiser e, para aquelas mulheres cuja vida, hobby ou trabalho esteja ligado ao mundo do futebol, isso deveria ser valorizado e não visto de forma negativa. (…) É certo que, por agora, ainda é cedo, porque não faz sequer uma semana que foi criado o Plano de Igualdade, mas o meu papel, juntamente com uma outra colega, será representar a voz dos trabalhadores para implementar as medidas necessárias e justas no que diz respeito à igualdade para todos.
Os objetivos ainda estão por definir; esperamos receber um relatório de uma empresa externa especializada na criação de planos de igualdade nas empresas.
Sinto-me confortável e, acima de tudo, é um tema que considero muito interessante.
O benefício será mútuo, tanto para a empresa como para os trabalhadores. Trata-se de implementar medidas que beneficiem ambos os lados. Trabalhadores satisfeitos e motivados… melhores resultados para a empresa.
É algo necessário em qualquer tipo de empresa.”
Isabel Mateo // Videógrafa e editora de vídeo no Departamento de Conteúdos
“Sempre gostei de jogar futebol, desde pequena. Também gostava muito de ver na televisão e jogar FIFA. Quando fiz 12 anos, comecei a jogar na equipa feminina de infantis do Intersala Promises, uma equipa de futsal. O clube tinha sido recentemente criado. Estive lá até à categoria de iniciados, tinha cerca de 14-15 anos, e acabei por deixar devido a uma lesão no joelho que ainda hoje me acompanha e também para me focar nos estudos. Mais tarde surgiu a oportunidade de entrar na Fútbol Emotion e, sem dúvida, sinto-me uma sortuda. (…)
Acredito que o futebol feminino está atualmente em crescimento. Sinceramente, não sei se é por uma questão de negócio ou porque se quer mesmo dar visibilidade (isto talvez não possas pôr ajajajaj). Mas a verdade é que isso pouco me importa, porque o que quero é que chegue o dia em que a final da Liga dos Campeões Feminina também seja transmitida em aberto e com estádios cheios. Acho que estamos no caminho certo. Já foram integradas seleções femininas no FIFA. Agora, no modo carreira do videojogo, também posso escolher ser treinadora. O Real Madrid já tem finalmente uma equipa feminina. Começa a ser mais habitual ver jogos transmitidos na televisão da Liga F. Penso que daqui a 5 anos o panorama será bastante positivo.”
Pilar Serrano // Videógrafa e editora de vídeo no Departamento de Conteúdos
“Decidi desenvolver a minha carreira profissional neste setor do futebol porque surgiu a oportunidade: apareceu uma oferta de emprego que parecia feita à minha medida. Na entrevista disseram-me que não era imprescindível ter muitos conhecimentos de futebol, o que me deixou bastante mais tranquila. A minha ligação ao futebol, para além do trabalho, diria que é sobretudo social, já que não me importo de ver alguns jogos quando estou com amigos e, em pequena, até gostava de jogar. (…)
Acredito que o papel da mulher no futebol vai crescendo aos poucos, mas ainda há muito caminho a percorrer. Nas empresas, há funções que parecem estar associadas a um género específico e essa barreira tem vindo a desaparecer. No desporto, o processo é muito mais lento. No futebol, por exemplo, sempre predominado por homens, ainda há muito por fazer para que o futebol feminino seja equiparado.
Para começar, deveria haver igualdade de condições e oportunidades entre jogadoras e jogadores. Aliás, no ano passado, as jogadoras fizeram greve a reivindicar um salário mínimo anual e um contrato coletivo (algo que deveria existir desde o início).
Penso também que é um problema de consciência social, porque durante muitos anos foi um desporto exclusivamente masculino e isso faz com que parte da sociedade ainda não atribua ao futebol feminino a mesma qualidade. Além disso, se os recursos forem muito inferiores aos do futebol masculino, o público também não o valoriza da mesma forma, porque parece de menor qualidade.
Acredito que, para haver evolução, é preciso deixar de encarar o desporto feminino como algo complementar ou secundário.”
Silvia Gómez // Designer Gráfica Offline
“O futebol feminino tem sido um dos grandes impulsionadores da igualdade de género no desporto nos últimos anos, promovendo e dando visibilidade à prática amadora e profissional nas principais ligas, assim como ao futebol feminino federado. Nota-se uma mudança de mentalidade num desporto tradicionalmente masculino. Apesar dos avanços, ainda há muito por mudar e muito por aproveitar. Acredito que todos vamos ganhar com esta coexistência. (…)
Como uma das representantes dos trabalhadores neste Comité de Igualdade e pelo meu papel ligado à comunicação, o meu objetivo é ajudar, dentro do possível, a dar visibilidade à mulher dentro do setor; promover a igualdade de género em todos os aspetos laborais dentro da empresa e alinhar-nos com as iniciativas das marcas e equipas.”
Raquel Zubeldia // Business Developer Andaluzia – Jogadora profissional 2007-2018
“A minha carreira desportiva começou quando tinha apenas 4 anos. De forma profissional começou em 2007, quando me estreei na Primeira Divisão com 14 anos, e em 2018 decidi pendurar as luvas e iniciar a minha carreira como treinadora de guarda-redes. É verdade que cada vez há menos predominância do sexo masculino, mas já tive más experiências apenas por ser mulher. Ainda há homens que hoje em dia acham que, por sermos mulheres, não percebemos deste setor. Sempre que isso me aconteceu, convidei-os a ouvir-me e depois tirarem as suas conclusões.
O papel da mulher no futebol está a evoluir cada vez mais. Existe maior impacto mediático graças aos patrocinadores, meios de comunicação, acordos… algo que há 2 ou 3 anos não acontecia. No setor profissional, atualmente já é mais fácil encontrar mulheres a trabalhar nestas áreas, porque tudo está a evoluir e cada vez mais pessoas reconhecem que as mulheres também sabem de futebol. A minha opinião sobre o comité de igualdade é positiva. Acredito que é necessária a presença de mulheres em cada departamento da empresa. Tal como a Fútbol Emotion também evoluiu nesta área. Ainda há muito por conquistar para as mulheres neste setor e muito caminho por percorrer.”
Sara Baztán // Responsável de Marketing Offline e Corporativo
“A minha carreira profissional esteve sempre ligada ao mundo do futebol. Comecei por acaso na redação de desporto de um meio local em Pamplona, onde me calhou cobrir os jogos do Osasuna, e nunca mais parei desde então. Tenho de reconhecer que nunca fui uma grande adepta de futebol, mas a paixão com que este desporto é vivido, tanto por jogadores como por adeptos, é algo que sempre me chamou a atenção e que acabou por me prender. Essa capacidade de mover massas, o sentimento de pertença a uma equipa, a loucura no estádio quando a equipa marca um golo, a emoção de uma criança a ver o seu jogador favorito, a vontade de acordar às 7 da manhã para jogar um jogo ao domingo, a frustração do adepto ao sair do estádio quando a equipa não deu tudo… a emoção do futebol fez com que quisesse ligar a minha carreira a este mundo.
Infelizmente, apesar de se darem pequenos passos nesse sentido, o setor do futebol não se destaca pela promoção da igualdade de género. São evidentes as desigualdades ao nível de salários, visibilidade, condições entre equipas masculinas e femininas, a proporção de homens e mulheres nas redações desportivas dos meios de comunicação, ou até o menosprezo dirigido a mulheres que percebem de futebol, como no recente caso viral da jornalista Laura Vizcaíno. Acredito que as mulheres ligadas ao futebol, de alguma forma, estamos no lugar certo para fazer pressão e continuar a mudar este panorama, mas ainda falta muito tempo para uma igualdade plena e, neste setor, ainda parece uma utopia.”
OBRIGADO, COMPANHEIRAS!!!
SP Fútbol e as suas luvas exclusivas para mulher
É importante destacar o trabalho da SP Fútbol no futebol feminino. Ao longo dos anos de história da marca espanhola, uma das linhas mais relevantes é, sem dúvida, a base “Earhart”. Importa sublinhar que esta luva exclusiva para mulher não surgiu apenas neste bom momento do futebol feminino; pelo contrário, a Earhart já está no mercado há muitos anos, acompanhando as guarda-redes, com o mérito de ser a primeira luva fabricada por e para mulheres. Além disso, feita POR E PARA ELAS.
A exclusividade, associada a referências dentro da marca, deu ainda mais valor a este modelo. Estes são alguns dos melhores exemplos:
SANDRA PAÑOS (2015)
Luva Mussa para o Mundial da FIFA de 2015
LOLA GALLARDO (2016)
Luva Odin camuflagem
ESTHER SULLASTRES (2017)
Luva Odin com design inspirado em luva de boxe
NOELIA RAMOS (2018)
Luva Earhart para o Europeu Sub-19
SUN QUIÑONES (2019)
Luvas Earhart para o Mundial da FIFA de 2019
SARA SERRAT (2020)
Earhart strapless
MISA RODRÍGUEZ (2021)
Earhart strapless
É importante destacar a origem do nome EARHART, já que haverá jovens guarda-redes que não o conhecem. O nome desta luva vem de uma verdadeira referência na luta pela igualdade: Amelia Earhart, uma aviadora norte-americana que deu um passo em frente num mundo dominado por homens e se tornou uma forte inspiração ao ser a primeira mulher a atravessar o Atlântico em voo.
Para além deste recorde, soma ainda inúmeros feitos na aviação. Para se tornar um verdadeiro mito, Amelia Earhart tentou realizar uma volta ao mundo por via aérea ao longo da linha do Equador, mas o seu avião despenhou-se pouco antes de completar a viagem. Infelizmente, o seu corpo nunca foi encontrado. Earhart representa, para todas vós, o símbolo e a história do que hoje significa ser GUARDA-REDES de futebol.
Associado a isto, tivemos a oportunidade de conversar sobre esta luva com Sara Serrat, guarda-redes da SP Fútbol e do Sevilha FC. Uma figura importante no design e melhoria desta referência dentro do universo das balizas.
— Como foi o desenvolvimento da luva? E através dela, como viste essa evolução: de uma luva de gama média com margem de melhoria até à atual Earhart?
O desenvolvimento da luva foi um processo bastante bonito. Lembro-me da primeira vez que o Pedro Mayo me contactou para me falar da intenção de lançar um modelo adaptado à mão da mulher. Recordo ter-lhe explicado as principais adaptações que considerava necessárias numa luva, como uma palma mais estreita ou o próprio pulso. Gostei muito de fazer parte desse processo, de testar os primeiros modelos pré-produzidos, de os ir ajustando, escolher cores…
A evolução foi brutal. Acho que isto é como tudo: com o passar dos anos vai-se melhorando. Com os testes da Earhart e com a utilização, fomos percebendo pequenos detalhes que ainda precisavam de ajuste naquele primeiro modelo, até chegarmos ao atual, que, se compararmos, não tem nada a ver com a primeira versão lançada.
— Como vês esse apoio por parte da Fútbol Emotion / SP Fútbol?
Surpreendeu-me que a SP desse este passo em frente, um passo que reforçava a aposta no futebol feminino numa altura em que ainda não estava tão em evidência como agora.
Nesse sentido, a aposta da SP e da Fútbol Emotion sempre foi muito positiva em relação à mulher. Lembro-me de há cerca de 10 anos, quando falei pela primeira vez com o Pedro, ele me dizer que queriam começar a patrocinar guarda-redes. Dessa conversa nasceu a minha relação com a SP até hoje. Uma relação excelente em todos os aspetos, porque é uma marca que trata de forma igual rapazes e raparigas, com contacto direto através do Pedro, e que foi aumentando essa aposta ano após ano, sendo atualmente um total de X guarda-redes com SP tanto na Primeira Liga feminina como na Segunda Liga, o que diz muito da marca.
— Qual consideras ser atualmente o papel da mulher no mundo do futebol (tanto no desporto como em qualquer função em empresas ligadas ao futebol) e para onde achas que deve evoluir?
O papel da mulher no futebol está a crescer, mas ainda há muito caminho por percorrer. Não nos podemos conformar com os avanços dos últimos anos. É preciso continuar a trabalhar em prol da igualdade no futebol e em todas as áreas.
Tal como acontece noutros setores, a mulher no desporto — e mais concretamente no futebol — começou a praticá-lo de forma oficial mais tarde do que o homem. Isto, tal como em outros contextos, é um entrave, porque se entra num setor onde historicamente só existiam homens e é necessário conquistar espaço, somando ainda todos os obstáculos que, por si só, já existem por ser mulher.
Com iniciativas como as da SP Fútbol e da Fútbol Emotion, esta desigualdade vai sendo combatida. É fundamental que empresas, instituições públicas e privadas promovam programas cujo objetivo principal seja alcançar a igualdade entre homens e mulheres no desporto, especialmente no futebol.
As principais novidades que acompanham esta “guerreira das balizas” são um novo padrão mais ajustado ao corpo da luva, corte híbrido roll/negativo, látex Qblock e tira de fecho elástica. Uma mudança radical, mantendo a essência.
Apostamos no presente, com guarda-redes de referência como Misa Rodríguez, do Real Madrid, Sun Quiñones, da Real Sociedad, Esther Sullastres, do Deportivo Abanca, ou a já mencionada Sara Serrat, guarda-redes do Sevilla, entre muitas outras.
Mas a aposta no futuro é igualmente importante neste caminho, com o exemplo de Nuria Carracedo, guarda-redes de infantis do Madrid CFF.
Assim, queremos celebrar o enorme esforço das nossas colegas, bem como de todas as mulheres e raparigas em todo o mundo, na construção de um futuro mais igualitário.
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