Em muitas ocasiões — e quem costuma acompanhar os artigos que fazemos por aqui, no “Balneário” da Fútbol Emotion, sabe bem disso — costumamos refletir e abordar algumas ideias mais a fundo. Independentemente de adorarmos todo o trabalho que as marcas nos trazem, esta constante “competição” entre elas leva-nos muitas vezes a pensar.
Com isto, o que eu queria era simplesmente que pensássemos numa ideia: não acham que o mercado atual está sobrecarregado de packs e edições limitadas? A minha resposta foi rápida e direta: sim, acredito que sim. Isto não quer dizer que cada lançamento não me deixe entusiasmado, mas levou-me a pensar na durabilidade que as marcas ofereciam antigamente, seja nas chuteiras ou até nas bolas. Hoje em dia, damos quase por garantido que não haverá nada verdadeiramente icónico, porque nem o tempo, nem as imagens, nem as próprias marcas parecem permitir que algo fique realmente gravado na nossa memória. Por isso, hoje voltamos ao passado. Se cresceste nos anos 90, vais perceber perfeitamente o que queremos dizer.
Top 10 das bolas mais icónicas dos anos 90
Vamos a uma viagem nostálgica que, com certeza, te vai fazer lembrar os tempos de escola, na rua do teu bairro, ou aqueles presentes que pedias no Natal… Qual destas bolas tiveste a oportunidade de ter?
adidas Roteiro
A bola utilizada no Euro 2004 em Portugal. A palavra portuguesa “Roteiro” significa “mapa de estradas” ou “carta de navegação” e faz referência às descobertas feitas pelos exploradores portugueses, especialmente Vasco da Gama, nos séculos XV e XVI. Pela primeira vez num grande torneio, todas as bolas antes dos jogos passaram a incluir os nomes das seleções, a data, o estádio e as coordenadas do círculo central do campo. Com um design inovador e as mais recentes tecnologias da marca ao nível de materiais, selagem dos painéis e resistência, ficou como “a bola prateada na nossa memória”.
adidas Terrestra
Quatro anos antes, para o Euro 2000, a principal competição europeia aterrou nos Países Baixos e na Bélgica, onde foi utilizada a adidas Terrestra. Esta bola marcou um avanço tecnológico para a adidas, com uma nova camada exterior que tornava o esférico mais suave ao toque, mais fácil de controlar e mais preciso. A nível pessoal, foi a primeira vez que vi uma bola oficial num videojogo. Como não podia deixar de ser, no FIFA 2000, quando estreava a minha PlayStation 1.
Nike Geo Merlin
Para a época 2000-2001, a marca americana lançou uma das bolas mais memoráveis de sempre, chamada “Merlin”. A Nike procurava dar uma mudança radical à estética das suas bolas. O classicismo tinha ficado para trás. Começava o “tudo é possível”. Nessa época surgiu a Geo Merlin, um design que se manteria durante três temporadas. O azul impõe-se e as linhas circulares e motivos prateados completam uma bola que rompeu totalmente com a imagem dos anos anteriores.
Nike Joga Bonito
Quando ouvimos a expressão “Joga Bonito”, é impossível não pensar em Ronaldinho, com a sua personalidade tão característica. Uma época maravilhosa em que a Nike nos mostrava, através dos seus anúncios — muitos deles protagonizados pelo antigo jogador do Manchester United, Eric Cantona — que o futebol era precisamente isso: magia. Repetíamos vezes sem conta nos nossos computadores os vídeos onde CR7 e Ibrahimović se enfrentavam em duelo, ou onde a seleção brasileira aquecia antes dos jogos. Esta bola, branca e dourada, que não chegou a aparecer em nenhuma grande liga, ficou ainda assim como uma das grandes referências.
adidas +Teamgeist
Estamos no Mundial da Alemanha 2006. A revolução da adidas no fabrico de bolas dá mais um passo. A adidas +Teamgeist recebe este nome em referência a um termo alemão que remete para o espírito de equipa. Pela primeira vez na história de um Mundial, cada bola era única: todas as bolas utilizadas nos estádios alemães estavam personalizadas com o nome do estádio, das equipas, a data do jogo e a hora de início de cada partida. Mas a grande revolução esteve na eliminação da estrutura tradicional de 32 painéis em pentágonos e hexágonos que a adidas tinha introduzido em 1970. A Teamgeist passou a ser composta por 14 peças, reduzindo em 60% os pontos de contacto entre os painéis, tornando-a mais esférica. Além disso, foi a primeira bola de competição com painéis selados em vez de cosidos, reduzindo praticamente a absorção de água e mantendo o peso e a forma independentemente das condições do relvado.
Nike NK 350 GEO
A bola branca, com o “Swoosh” preto. Simples. Linda. Estamos no ano 1996 e a Nike torna-se a fornecedora oficial de bolas da La Liga. A marca americana ia definindo o seu caminho e eliminava os detalhes negros para deixar uma bola branca com o logótipo da Nike a preto e vermelho. Uma verdadeira revolução para a altura. Este modelo esteve connosco na época 1996-1997. Nunca mais uma bola repetiu duas épocas seguidas. Ainda assim, falamos de coloração, não de modelo. Por curiosidade, não devemos confundir com a Nike NK 850 Geo, que, apesar de semelhante, é basicamente uma versão “clonada” pela Nike do já mencionado 350.
Nike Hi-Vis Aerow T90
Estamos a chegar ao coração da nostalgia. Sinceramente, quem não tem esta bola na memória? É verdade que existiram versões em branco e outras cores, mas quando a vimos em amarelo, tudo mudou. Este design trouxe uma das grandes novidades da época: pela primeira vez, a introdução da alta visibilidade tornou-se obrigatória. Para além de Espanha, esta bola rolou também em Inglaterra, sendo a oficial da Premier League. Um verdadeiro símbolo da minha infância.
adidas Fevernova
Mundial da Coreia e do Japão de 2002. Só de a ver voar nas repetições, ficava colado ao ecrã. Além de ter sido um dos Mundiais mais icónicos, pelos jogadores que participaram e pelo material desportivo utilizado, esta bola, sendo sincero, era um dos motivos para não descolar da televisão. O seu nome, o design com “turbinas” e a utilização da cor baseavam-se totalmente na febre da inovação das culturas asiáticas. A nível técnico, a adidas Fevernova incluía uma camada de espuma refinada para melhorar o desempenho e uma parte superior cosida de três camadas que permitia trajetórias de remate mais precisas e previsíveis. Na altura, recebeu fortes críticas na apresentação, mas a verdade é que a aceitação por parte dos jogadores foi bastante positiva.
adidas Tricolore
Acreditam que podemos afirmar que a Tricolore de França 1998 é a BOLA dos Mundiais? A inspiração do nome e da decoração vem da bandeira tricolor e do galo, símbolos tradicionais da República Francesa e da sua seleção nacional de futebol. Com o nascimento da Tricolore marcou-se um antes e um depois no fabrico de bolas de futebol. Chegou ao fim a produção em fábricas europeias e as grandes marcas passaram a produzir em países mais económicos. Para muitos, as bolas nunca mais foram as mesmas e perderam parte do seu encanto. A adidas Tricolore teve versões “Made in Morocco” (Marrocos), “Made in Pakistan” e “Made in Thailand” (Tailândia). Ainda assim, em termos tecnológicos, a Tricolore representou um salto importante face às restantes bolas utilizadas na altura. A bola de 1998 incluía uma camada de espuma sintética, um material que aumentava a durabilidade, a recuperação energética e a capacidade de resposta.
Nike Scorpion
Embora hoje em dia já não seja tão habitual neste tipo de campanhas, a Nike costumava fazer grandes anúncios televisivos com alguns dos melhores jogadores da altura que vestiam a marca. Um dos mais recordados foi o da “jaula”, com Eric Cantona como mestre de cerimónias. O ANÚNCIO, com todas as letras. Em 2002, uma campanha dividida em três capítulos consistia em jogos de três contra três dentro de uma jaula. A campanha contou com a participação das maiores estrelas da época, que mostravam o seu talento ao som do icónico ‘A Little Less Conversation’ de Elvis Presley. Nesse anúncio aparecia uma bola prateada. Sim, PRATEADA. Na altura, foi um verdadeiro “boom” na cabeça de muitos miúdos que ficavam fascinados com este anúncio. Claramente era baseada no design da Nike Geo Merlin, mas não tinha nada a ver. Outro estilo, outra energia.
Mikasa FT5
Uma bola que fazia de ti jogador… literalmente. A Mikasa. A Mikasa, só por si. A geração Mikasa. Há bolas e há Mikasas. Ao mesmo tempo, só existe um Mikasa, mas existem muitos “mikasas”. A Mikasa original não era uma bola qualquer, por muito discutível que seja sequer chamá-la de bola. Talvez o que lhe faltava em forma esférica e outras características fosse precisamente o que a tornava tão especial. A Mikasa frustrava-te e melhorava-te em doses iguais. Era desesperante e quase impossível para certos gestos técnicos: marcar um canto, bater um livre… Era perigosa noutros casos: cabecear (morte), dominar com o peito (morte lenta). A Mikasa deixava marca. Tão icónica que se tornou um símbolo do futebol amador. Tinha muitos defeitos, mas também não trocava por nada o que este esférico ensinava. Frase de jogador com idade, mas verdadeira: os jogadores de hoje não sabem o quão bonito era juntar areia e uma Mikasa.
Claro que poderia incluir muitos mais modelos nesta lista — aqueles que marcaram as crianças dos anos 80 e 90 — mas talvez seja melhor assim. E tu, incluirias algum mais nesta lista? Lembro-te que esta é a MINHA lista pessoal, não tem de ser a tua. Se tiveres algum que gostasses de ver incluído, deixa-nos nos comentários ou escreve-nos através das nossas redes sociais.
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